sábado, 7 de fevereiro de 2009

De toda a dor desse mundo a minha é a pior porque ela é minha...

Dor é uma experiência desagradável geralmente associada a um processo destrutivo dos tecidos do corpo, podendo também ser experimentada mesmo que nenhuma lesão ou perigo esteja presente. Expressa-se através de uma reação orgânica e emocional, variando desde desconforto leve a um sofrimento excrucinante.
É dividida em dor aguda e crônica. A primeira é interpretada como um sintoma que alerta o organismo de que um processo lesivo se inicia no local, ex.: dor de dente devido a uma cárie ou dor no quadril ao caminhar devido ao desgaste da articulação. Normalmente a dor aguda cessa assim que a causa é tratada ou então quando o processo cicatriza-se.
A dor crônica é aquela que persiste após o tratamento adequado de sua causa ou mesmo não tendo uma causa específica, podendo durar anos ou o resto da vida. Prejudica a qualidade do sono, evitando que o indivíduo tenha um sono reparador. Além de gerar afastamentos temporários ou definitivos do trabalho, muitas vezes após extensos processos jurídicos contra a previdência. Levando a uma extrema perda de qualidade de vida desses pacientes.
Hoje sabe-se que na dor crônica existem alterações na função do Sistema Nervoso que mantêm a consciencia alerta para uma “lesão” que na verdade não existe.
Tal problema leva o paciente a inúmeras investigações com proficionais das mais variadas especialidades, muitas vezes levando a tratamentos cirurgicos que no final tem pouco ou nenhum efeito no alívio da dor. Nessa hora a dor é rotulada como psicológica e o paciente é encaminhado para o psiquiátra.
A frustração pelo insucesso dos tratamentos realizados somado ao sofrimento causado pela dor em si levam muitos deles à depressão mesmo quando os mesmos nunca tiveram predisposição para tal. A associação dor + depressão nesses pacientes torna o tratamento mais difícil pois um sintoma intensifica o outro sendo muito frequente nos consultórios dos especialistas em tratamento da dor e dos psiquiátras.
Diversos estudos científicos demonstram que a forma de enfrentamento da dor crônica mais eficiente engloba uma abordagem interdisciplinar onde o paciente é avaliado num contexto biopsicosocial, ou seja sua doença, o impacto da doença em sua vida, e o desarranjo social gerado pela sua dor na família, no trabalho e na sociedade como um todo. A abordagem segue um grau crescente de complexidade iniciando com a educação do paciente sobre sua doença, terapías físicas, medicamentos, acupuntura, psicoterapias. Algumas vezes pode ser indicado infiltrações e bloqueios analgésicos. Deixando as cirurgias que interrompem a transmissão da dor para casos excepcionais.
Necessita de uma equipe multidisciplinar unida, com especialistas em tratamento da dor, psiquiátras, médicos do trabalho e fisioterapêutas que discutindo caso a caso em sua totalidade selecione o melhor plano terapêutico para cada paciente individualmente. Levando não somente a diminuição da dor e do sofrimento mas o retorno a atividade física, laboral e de lazer, melhora do humor e do sono. Contribuindo como um todo para uma melhora na qualidade de vida do indivíduo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário